O livro na Idade Média

O livro na Idade Média


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o livro na idade média foi uma ferramenta essencial para a transmissão da cultura. Os livros foram escritos principalmente por homens da Igreja para outros homens da Igreja e para soberanos. As bibliotecas europeias contêm uma grande parte do nosso patrimônio cultural e artístico, para o qual o advento do cristianismo muito contribuiu, dando ao livro uma aura sagrada. Graças ao trabalho lento e laborioso dos escribas e ao talento dos iluminadores, a paixão pelos livros, objeto raro e precioso, é, portanto, um legado da Idade Média. Os lugares dessa criação, sua mudança dos mosteiros para as cidades, fez a relação livro-leitor evoluir para novos usos.

O Livro da Idade Média

Não se deve esquecer, porém, que a grande maioria dos homens e mulheres daquela época não sabia ler e não possuía os meios materiais de acesso à cultura, prerrogativa dos ricos senhores e eclesiásticos. O livro é então um suporte para a meditação sagrada do monge sobre as escrituras, entretenimento para os príncipes na forma de romances ou tratados de caça e, mais tarde, uma ferramenta para o estudante estudioso que luta com um manual de gramática latina.

O livro não é apenas um texto que assume formas cada vez mais variadas, mas também um fabuloso repertório de imagens. A ilustração de livros devocionais ou de obras seculares adquiriu nessa época uma importância particular: a imagem acompanha e nutre o texto, os maiores artistas participam da decoração dos manuscritos. A pintura está nos livros!

A história do livro evoluiu muito antes de chegar à sua forma final na Idade Média. Essa história se encaixa entre dois grandes desenvolvimentos técnicos: o surgimento do códice no século I aC e a invenção da impressão por volta de 1460. Na antiguidade, os meios de escrita eram tão variados quanto antes. engenhosos: pranchas de madeira revestidas de cera, tabletes de barro, cascas de árvores, tiras de tecido de seda na China, rolos de papiro no Egito, Grécia ou Roma. Essa mídia continuou a ser usada para escrever documentos efêmeros, como os rascunhos de “beresty” rabiscados em casca de bétula por mercadores russos.

A mídia da escrita na Idade Média

Quais foram os três principais meios de escrita na Idade Média? Papiro, pergaminho e papel. O papiro associado ao antigo Egito, de onde ele provém, há muito é usado no mundo mediterrâneo, em particular pela chancelaria papal. Por volta de 1051, foi suplantado pelo pergaminho (que leva o nome da cidade de Pergamon na Ásia Menor). Espalhou-se nos séculos III e IV graças a melhorias técnicas. Todos os tipos de animais podem fornecer peles para sua fabricação: cabras e ovelhas possuem uma qualidade comum chamada "pele de carneiro". “A vitela faz-se a partir da vitela, uma qualidade fina e apreciada, mas também a mais cara.

Os pergaminhos se estabelecem em cidades ou perto de mosteiros. A fabricação do pergaminho é longa e meticulosa. As películas são vendidas em maços, dobradas ao meio ou em quartos (a dobra determina os formatos). Eles podem ser tingidos de vermelho ou preto, com letras douradas ou prateadas para manuscritos de luxo. A pele fica mais forte e resistente ao fogo, pode ser usada para encadernações, ou arranhada e reescrita.

O papel, que surgiu no final da Idade Média, foi inventado na China por volta de 105 DC, sua distribuição seguiu a Rota da Seda. Feito de trapos umedecidos em banho de cal, é feito de fibras cruzadas e esticado sobre armações. O uso da fábrica de papel e da prensa avançou a técnica. O papel acabou sendo essencial pelo seu preço bastante competitivo (treze vezes mais barato que o pergaminho no século XV).

Os escritos destinados a durar foram escritos em papiros ou rolos de pergaminho. O aparecimento do códice (um livro paralelepipédico mencionado por volta de 84-86 DC) tornou-se rapidamente um verdadeiro sucesso. Mais prático que o rolo, permite escrever sobre uma mesa ou escrivaninha. As Bíblias na forma de códices são mencionadas já no século II.

O escriba e suas ferramentas

O escriba é o grande especialista da escrita, tarefa lenta e tediosa. Ele treina em placas de cera que grava com uma ponta de metal, osso ou marfim. Para traçar suas letras em pergaminho ou papel, ele conta com três ferramentas essenciais: a ponta, um lápis, prata ou lata que se utiliza para rascunhos e o desenho das réguas para apresentar páginas homogêneas, o "catalame" (cana cortada) e finalmente a pena de pássaro.

Para escrever, utilizam-se penas de pato, corvo, cisne, abutre ou pelicano, sendo a melhor a caneta de pena! O escriba corta a pena com um canivete. Ritmos fortes, verticais acentuadas e horizontais mais finos, alternâncias de cheios e fios são determinados pelo tamanho.

A tinta preta é obtida pela decocção de substâncias vegetais como a noz de galha e a adição de sulfatos de chumbo ou ferro. A tinta vermelha é reservada para títulos de obras e capítulos (esse costume deu seu nome a “rubricas”, termo derivado do latim “ruber” que significa vermelho). Na ausência de um índice, eles permitem que o leitor encontre seu caminho mais rapidamente no manuscrito. Este pode ser dividido em cadernos distribuídos a vários escribas que compartilham o trabalho, a fim de agilizar a cópia.

Iluminações e miniaturas

Os livros com ilustrações são minoria devido ao seu alto custo. A iluminação tem uma dupla função: decorativa, embeleza a obra, educativa, ilumina o texto. O iluminador recebe uma folha de pergaminho já escrita na qual os espaços foram delimitados pelo escriba para que possa realizar as suas pinturas. Várias mãos estão envolvidas na decoração de um manuscrito: o iluminador das letras, o das bordas e o "historiador" ou pintor da história que compõe as cenas historiadas.

No período românico (séculos XI e XII), as maiúsculas também podem servir de enquadramento a uma composição real, os batentes da inicial aí permitem desenvolver-se a decoração. No século XIV, as margens eram povoadas por motivos vegetais, acantos ou buquês de flores, animais reais ou fantásticos, personagens, brasões e, por vezes, pequenas cenas em medalhões.

De mosteiros a oficinas urbanas

Concentrados nos mosteiros durante os primeiros séculos, os manuscritos (produzidos em uma oficina chamada scriptorium) se estabeleceram na cidade, dando origem a um verdadeiro mercado de livros.

A pontuação e a separação de palavras surgiram no norte da França em meados do século XI, assim como a prática da leitura silenciosa. As escolas episcopais desejadas por Carlos Magno desenvolveram-se durante o século 12 ao mesmo tempo que as cidades. Os livreiros surgem no início do século XIII, encomendam manuscritos a copistas e os vendem a professores e à universidade.

Os livreiros ou papéis de carta dominam os quatro ramos ligados à produção de livros: copistas, fabricantes de pergaminhos, iluminadores e encadernadores. Se as primeiras bibliotecas aparecerem nos mosteiros, elas se tornarão públicas ou privadas. Mesmo que não seja iluminado, o livro é caro. Depois de comprar o pergaminho, você tem que pagar pela cópia, uma tarefa lenta e tediosa, depois pela encadernação. Algumas melhorias feitas em sua fabricação no final da Idade Média permitiram baixar o preço do livro: redução de formatos, uso de papel, empobrecimento da decoração, encadernações mais modestas. Os livreiros também oferecem livros em segunda mão.

As obras universitárias se preocupam com teologia, direito ou medicina, enquanto reis, príncipes e senhores colecionam volumes dedicados à edificação religiosa e moral, ao conhecimento político e ao entretenimento (romances, poemas).

Livros universitários

O surgimento das escolas urbanas no século 12 e a criação das universidades no século seguinte criaram um novo público de leitores. Professores e escolares consideravam os livros a principal ferramenta de conhecimento. Mal afortunados, os intelectuais da Idade Média conseguem possuir as obras fundamentais, alguns conseguem reunir uma pequena biblioteca particular, mas a maioria recorre a cópias de segunda mão ou copia manuscritos emprestados.

A coleção de livros universitários mais conhecida é a fundada por Robert de Sorbon (confessor de Luís IX em 1250) para estudantes pobres destinados aos estudos teológicos na Universidade de Paris (mil volumes). A diversidade das imagens, a riqueza e a fantasia das decorações, o mundo de cores inalteráveis ​​que o tempo e o desgaste não conseguiram manchar, são todos elementos que explicam o fascínio que os livros exercem sobre nós. da Idade Média.

A distância que nos separa de sua criação, sua milagrosa preservação os tornam objetos quase sagrados, que bibliotecas ou colecionadores particulares preservam zelosamente. Algumas exposições por vezes revelam a riqueza deste património a um público deslumbrado. Essas obras deixaram uma marca indelével em nossa visão desse período.

Da elegância e fantasia das "ricas horas do Duque de Berry" à imaginação dos "Apocalipses moçárabes" e das bíblias romanas, todos os manuscritos da Idade Média nos apresentam a um mundo de sonho como o possuíam. séculos atrás com seus primeiros leitores.

Fontes e ilustrações: A paixão pelos livros na Idade Média, de Sophie Cassagnes-Brouquet. Edições Ouest-France, 2010.

Livros na Idade Média

- A França na Idade Média do século V ao século XV, de Claude Gauvard. PUF, 2019.

- História cultural da França. A Idade Média, de Jean-pierre Rioux. Points Histoire, 2005.


Vídeo: IDADE MÉDIA - Bárbaros, Cristãos e Muçulmanos - Umberto Eco


Comentários:

  1. Boone

    Na minha opinião você não está certo. Estou garantido. Eu posso provar.

  2. Saniiro

    Regra de Tema

  3. Abban

    Oh, esses eslavos!

  4. Tatilar

    Ponte a lacuna?



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